Como já vimos, a Queda afetou todas as áreas da vida humana, o que não significa que em algum momento alguma coisa foi retirada do ser humano. Mesmo que assim fosse, não poderíamos saber, claro, porque a coisa em si não poderia ser percebida. Ou seja, não seriamos capazes de perceber que alguma coisa de nós foi retirada. Estaríamos em desconhecimento total da coisa retirada. 

Enfim, mesmo depois da queda, com a depravação total instalada, Deus ainda fala com Caim Gn 4:6:7, veja:  

O Senhor disse a Caim:  

“Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto?  

Se você fizer o bem, não será aceito?  

Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo“. 

Com uma observação simples da passagem é possível perceber que o Senhor está oferecendo à Caim alternativas. E esta escolha somente pode ser feita por ele, Caim. Como já vimos, Deus determina as alternativas, mas não as escolhas humanas dentro das alternativas que Ele estabeleceu. Isto é, a liberdade humana está dentro dos limites previamente estabelecidos. Mas, como sabemos, esta liberdade é uma liberdade libertada e nunca uma liberdade livre por si mesma. 

Então, quando o Senhor Deus fala a Caim: “Se você fizer o bem (…)”, tais palavras são palavras de libertação para Caim, retirando-o da cegueira, da surdez da morte espiritual dando a ele oportunidade de conhecer a verdade. E assim, escolher. Ou seja, a Graça misericordiosa foi oferecida a Caim, foi-lhe oferecido perdão e vida. Mas, infelizmente, como sabemos Caim rejeitou a Palavra de Deus e preferiu derramar o sangue de seu irmão Abel. 

Ao avançarmos vemos sobre a desobediência de Israel. Levíticos 26, como na passagem de Caim, Genesis 4, a Bíblia nos mostra uma infinidade de “Se”. Isto é, tanto na Palavra do Senhor diretamente a Caim como na forma da Lei entregue por Moises há um chamado a obediência. 

Deus, misericordiosamente, através da Lei, ofereceu novamente, agora ao povo alternativas. Porque do contrário, sem a tutela da Lei, o povo entraria em desolação e a ira de Deus os entregaria aos pagãos.  

Então, quais as implicações óbvias? Através da Lei Deus revelou ao povo as alternativas de como eles poderiam encontrar vida em um relacionamento com seu Deus. Dessa forma, as passagens de Levíticos, não é sobre a Lei em oposição ao Evangelho, é sobre comandos objetivos que levaria o povo ao próprio Deus. 

Há apenas dois caminhos – o que é, posteriormente, endossado na literatura de sabedoria – e cada um dos caminhos tem suas próprias implicações segundo as escolhas do sujeito. As benções seguirão aqueles que obedecerem e maldições aos desobedientes. 

Sei que alguns dirão que estas passagens não falam diretamente sobre escolhas humanas. Mas, de qualquer forma, é inegável que as passagens atribuem algum nível de responsabilidade humana para o povo que estava recebendo os comandos. 

Então, se as escolhas forem em direção a obediência, Deus os abençoaria, porém, se as escolhas estivessem alinhadas a desobediência recairia sobre eles as maldições. 

Em suma, por mais que os seres humanos estejam sob a influência da Depravação Total, há ainda um senso de responsabilidade. Do contrário, Deus estaria dando comandos à toa. Se não fossemos capaz de compreender e, consequentemente, escolher Deus estaria trabalhando à toa. 

Mas, certamente, não é assim. Deus não faz nada à toa ou ao acaso. Deus tem objetivos claros. E, nestas passagens, o objetivo é a formação de um povo que se relaciona com o seu Deus em uma aliança cheia de Graça. 

Verdadeiramente, as Palavras de Deus à Israel é muito mais que comandos de “pode ou não pode”, as Palavras de Deus à Israel é um convite a um relacionamento. Deus ofereceu graça e estabeleceu os caminhos, não para alcançar a graça, mas para um relacionamento saudável na Graça. 

Então, ao avançarmos mais um pouco encontramos em Deuteronômio escrito: 

O que hoje lhes estou ordenando não é difícil fazer, nem está além do seu alcance. Não está lá em cima no céu, de modo que vocês tenham que perguntar: “Quem subirá ao céu para consegui-lo e vir proclamá-lo a nós a fim de que lhe obedeçamos? “Nem está além do mar, de modo que vocês tenham que perguntar: “Quem atravessará o mar para consegui-lo e, voltando, proclamá-lo a nós a fim de que lhe obedeçamos? “Nada disso. A palavra está bem próxima de vocês; está em sua boca e em seu coração; por isso vocês poderão obedecer-lhe.”  

Deuteronômio 30:-11-14. 

Deus faz uma proposta e traz uma importante revelação. Em tudo o que Deus faz não há nada escondido. Não há nada escondido a ponto de poderem se eximir da culpa de suas práticas. Porque as Palavras de devem estar nos lábios e no coração, e isto todos podem fazer vers. 20. 

No texto de Deuteronômio 11: 26-28 está escrito:  

“Deus colocou diante deles o Bem e o Mal, a vida e a morte. Veja: Prestem atenção! Hoje estou pondo diante de vocês a bênção e a maldição. 
Vocês terão bênção, se obedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, que hoje lhes estou dando; 
mas terão maldição, se desobedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, e se afastarem do caminho que hoje lhes ordeno, para seguir deuses desconhecidos.” 

Através das palavras de Moisés Deus dá ao povo escolhas. Obedecer e viver ou desobedecer e morrer. Isto é, há claramente um nível de liberdade humana. Do contrário, se as Palavras de Deus, ditadas a Moisés, não pudessem ser obedecidas, seria tudo uma grande zombaria. 

Enfim, os mandamentos de Deus apontam para Ele e, ao obedecê-los, estamos caminhando em direção à Ele. Construindo um relacionamento com aquele que misericordiosamente nos chamou. Como afirma o Apóstolo em primeira João, ao obedecermos aos mandamentos dEle mostramos que O amamos e sua Palavra está em nós. 

Por isso podemos ter plena confiança que se obedecemos a seus mandamentos, se os mantermos em nossos lábios e coração, Ele, o Senhor estará com Sua face voltada para nós. 

Para concluir, não estou negando a Depravação Total nem a incapacidade do Homem de chegar livremente a Deus. Mas, digo, que quando a Palavra de Deus penetra os corações, e o Espírito Santo, convence-nos da Verdade da obra de Cristo, verdadeiramente podemos ser livres para uma escolha real e significativa que terá consequências eternas. 

E, como venho afirmando, a Palavra de Deus transmitida por Moisés ao povo de Israel, não é meramente a “Lei”. É muito mais. É um convite a um relacionamento com o Santo Deus Trino. Um relacionamento baseado na Graça de um Deus misericordioso que está verdadeiramente preocupado com a situação de Sua criatura. 

Referências: 

Picirilli, R. E. Free Will Revisited. Eugene, Wipf and Stock: 2017. Digital 

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