Como vimos em “Introdução ao Livro do Profeta Jonas, Perspectiva Missionária”, o “Ide” ainda era incipiente. Foi o nascimento do movimento inverso. Isto é, Jonas caminha na direção contrária dos Profetas. enquanto os Profetas chamavam para dentro de Israel, Jonas vai para fora de Israel para anunciar a Palavra de Deus. 

Desta forma, o Exílio na Babilônia, é considerado outro estágio da Missão Urbana, proposta pelo Senhor. O Povo de Deus, precisa de alguma forma, se sentir deslocado da sua realidade, mas disposto a conviver e influenciar a realidade que o cerca. Este é o sentimento do Exilado. O sentimento que o próprio Deus pede a Seu povo. Está Escrito:  

Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.”  

Jeremias 29:7. 

Assim, como Nínive, a Babilônia era a capital do Império. Foi igualmente perversa e pagã. 

No período do Nabucodonosor, o rei responsável pelo exílio dos judeus, a Babilônia se tornou um dos lugares mais extraordinário e admirável do mundo antigo. Assim, da mesma forma como ocorreu no cativeiro do Egito, Deus ordena que o povo se case e tenha filhos. Está Escrito:  

Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais.”  

Jeremias 29:6. 

A cidade da Babilônia no século 6 a.C. Ilustração moderna, autor desconhecido. 

Imagem retirada: https://apaixonadosporhistoria.com.br/artigo/73/a-cidade-da-babilonia

Porém, não deveriam casar com pagãos, Deus já os havia proibido. O objetivo do casamento e da multiplicação dos filhos era garantir a posteridade, e a sucessão legítima mesmo em meio as aflições do cativeiro. O próprio Profeta Jeremias não tomou mulher nem poderia ter filhos como sinal de que os casamentos e os filhos cessariam em Judá.  Jeremias 16:2. (McConville, 2009) 

E, assim, como vimos no versículo 7, ao promover a paz e a prosperidade eles se beneficiariam da paz e da prosperidade que promoveram. Isto é, mesmo em meio a sofrimento e no caos não deviam parar de fazer o bem e buscar a felicidade do lugar em que estavam cativos. 

A ideia é, mesmo em uma cidade de hábitos questionáveis, modo de vida inquietante, e diferente daquilo que o Senhor Deus propõe, os exiliados deveriam promover, o quanto pudessem, a paz e a prosperidade. E esta paz e prosperidade, se dá através das orações, suplicas e qualquer outro meio que pudesse promover paz. Para entender a aplicabilidade, veja sobre a vida de Daniel. 

Procurar o bem e ajudar a cidade prosperar os tornariam influentes, e, futuramente, retomaria a antiga pátria. Esta é a relação que Deus propôs aos exiliados na Babilônia e a qualquer lugar que Seu povo estiver exilado. Os Exiliados devem trabalhar com equilíbrio e preservar a cultura do Reino e a cultura judaica sem se isolar na cidade onde estão (Santana, 2016). 

Isto mostrar que há um nítido contraste entre aquilo que Deus propõe para uma cidade e aquilo que as cidades terrenas são. Mas os cidadãos da cidade celestial, da cidade, devem fazer que for possível para se tornar os melhores cidadãos das cidades Terrenas, evidenciando o contraste. 

Outro aspecto interessante, do exílio dos judeus é que, os judeus, se dispersaram pelo mundo inteiro, por diversas cidades. Os Judeus se tornaram um grupo étnico internacional sem governo e com leis próprias. Sempre se colocando como contracultura. 

Esta internacionalização do povo Judeu depois se tornou base sólida para difusão do cristianismo.  

Dessa forma, esta difusão, internacionalização, penetração na cultura, deve ser um caminho da Igreja contemporânea como foi na Igreja primitiva. Como na carta de 1 Pedro 1:1, ecoando Jeremias, o apóstolo, destina suas letras aos “forasteiros”, os “residentes estrangeiros”. (Cottrell, 2017). 

A ideia é de pessoas que vivem em um país, que não são turistas nem ativos. A ideia de Pedro é a ideia de Jeremias os cristãos devem se tornar como exilados que ajudam a terra estrangeira a prosperar e a se tornar mais justa. 

Dessa maneira, o cristão na missão, deve se envolver na cultura, sem se contaminar com as injustiças, servir e promover o bem comum, dos crentes e também dos descrentes. Ao invés de lutar contra a hostilidade ou simplesmente ignorá-las, é necessário apresentar a solução de paz. Assim, muitos antes confusos, ou perseguidores, podem se converter e glorificar o nome Cristo, pelo bom testemunho e o bom serviço Cristão pelas comunidades das cidades. 

Referências:  

Robson R. S. Missão Urbana, fundamentos, desafios e implicações. Columbia, SC: Amazon, 2016. Digital.  

Walton J. H et.al. Comentário Histórico-cultural da Bíblia – Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Impresso. 

Mcconville, Gordon. Comentário Bíblico Vida Nova, D. A Carson et.al. São Paulo: Vida Nova, 2017. Impresso.

Imagens:

  1. A cidade da Babilônia no século 6 a.C. Ilustração moderna, autor desconhecido.<https://apaixonadosporhistoria.com.br/artigo/73/a-cidade-da-babilonia>

Cottrell, J. Studies in First Peter, 35 Lessons dor Personal or Group Study. Christian Restoration Association mason, OH. 2017. Digital. 

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