Da mesma forma, como vimos no Antigo Testamento, o Livre-Arbítrio, também pode ser observado no Novo Testamento. Tanto um chamado pessoal, o caso dos discípulos, Mateus 4: 19, quanto em um chamado geral, Mateus 10: 32-33, podemos facilmente perceber a responsabilidade humana diante do chamado de Deus em Cristo Jesus. 

Em Mateus 4, depois de ter sido tentado, e ido morar em Cafarnaum, Jesus começa a pregar. No Verso 18, o Senhor estava andando à beira do mar da Galileia, quando viu Pedro e André pescando, disse-lhes: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens” vers.19. Pedro e André ouviram o gracioso chamado de Jesus, abandonaram suas redes, e seguiram o Senhor. 

Este chamado exigiu escolha. Pedro e André estava diante da escolha entre suas famílias e seus negócios, a pesca, ou seguir como discípulos de Jesus, o Cristo. Pela graça de Deus eles escolheram à Cristo. Vemos posteriormente que o Apóstolo Pedro diz: “Nós deixamos tudo para seguir-te (…)” Mateus 19:27

Há, ainda, no Novo Testamento, um chamado geral, e, neste chamado mais geral, existe, como vimos no Antigo Testamento, um aspecto condicional de “Se´s” quando Jesus diz:  

Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” Mateus 10:32-33

Isto é, uma escolha entre a vida eterna com Cristo e a morte eterna longe de Cristo. 

Certamente, a Depravação Total, impede os seres humanos de chegarem a Deus e responderem Seu chamado. Não somos livres para simplesmente responder o chamado gracioso de Jesus. Mas, são as Palavras de Jesus que no liberta e habilita para o “sim”. A fé vem pela Palavra de Deus. Isto é, são através da Palavra de Deus  que o Espírito Santo nos convence que a obra de Cristo é verdadeira e convencidos, podemos dizer “sim”. Toda a obra para salvação assim como o convencimento para ser salvo, é obra do Deus Trino. Não há qualquer vontade humana em direção a Deus. O que existe é, após sermos convencidos pelo Espírito Santo, que a obra de Cristo é verdadeira, estamos libertos, ou seja, fomos habilitados, para responder “sim” ou “não”. 

Infelizmente, há casos de “não”. Tanto ao chamado individual quanto ao chamando coletivo. 

Em Mateus 19: 16-22, um Jovem Rico se aproximou de Jesus, e perguntou-lhe: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna” vers. 16, e, Jesus foi direto: “Dê seus bens aos pobres (…) e siga-me”. Isto é, renuncie tudo que o prender a este mundo. Renuncie a Mamom que controla sua vida. Siga-me. Todos sabemos a péssima escolha do Jovem Rico, ele preferiu suas posses à vida eterna com Cristo. 

O Jovem Rico, recebeu as Palavras de Jesus, ele foi liberto e estava apto para o responder com plena consciência de suas responsabilidades diante do chamado, por isso, ele se entristeceu. O Jovem reconhecer que Jesus é a Verdade, é o Cristo prometido, e tudo quando Ele diz é plenamente digno de confiança. Mas, o Jovem, permitiu que a voz do seu próprio coração falasse mais alto. 

Não posso acreditar que Jesus teria chamado Jovem Rico se já o houvesse condenado a dizer “não”. Chamar o Jovem Rico sem libertá-lo e sem habilitá-lo a dizer “sim” seria sádico. Eu acredito em um Deus que é totalmente bom. Um Deus que amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho para que todo aquele que Nele crê não morra mais receba a vida eterna. 

Em Mateus 23:37, em chamado coletivo Jesus declara sua vontade bondosa de salvar Jerusalém, mas lamenta quando diz: “Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.” Mateus 23-37

Estes são apenas alguns exemplos. Há inúmeros outros exemplos bíblicos que demonstram a realidade da possibilidade de escolhas humanas. Em Mateus 6:24 Jesus diz que não podemos servir a dois senhores, isto é, é necessário escolher. Em João 1:12, está escrito que Jesus veio aos Seus, porém os Seus não o receberam. Em Atos 13:46, quando Paulo prega alguns respondem com fé e outros não.  

Enfim, como já disse, a possibilidade de escolha é uma realidade, e negá-la traz consequências lógicas bem desagradáveis. 

Referências:  

Picirilli, R. E. Free Will Revisited. Eugene, Wipf and Stock: 2017. Digital 

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