“Se, pois, Deus lhes deu o mesmo dom que nos dera quando cremos no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para pensar em opor-me a Deus? “ 
Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a Deus, dizendo: “Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios! “ 
Os que tinham sido dispersos por causa da perseguição desencadeada com a morte de Estêvão chegaram até à Fenícia, Chipre e Antioquia, anunciando a mensagem apenas aos judeus. 
Alguns deles, todavia, cipriotas e cireneus, foram a Antioquia e começaram a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor Jesus. 
A mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor. 
Notícias desse fato chegaram aos ouvidos da igreja em Jerusalém, e eles enviaram Barnabé a Antioquia. 
Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração. 
Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor. 
Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo 
e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos.”  

Atos 11: 17-26 

As Letras do Novo Testamento são um testemunho do movimento missionário, o Livro de Atos, a partir do Apóstolo Paulo, mostra que este movimento foi intencionalmente urbano. O Livro de Atos até o capitulo 12 registra com ênfase o ministério do Apóstolo Pedro, que só aparecerá novamente no capitulo 15. É sabido também que os outros apóstolos fizeram grandes trabalhos por diversos lugares, mas o registro Bíblico-Histórico a partir de Atos 13 é sobre o Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso. 

Assim, com uma rápida olhada no Novo Testamento é possível perceber que o Apóstolo Paulo direciona suas forças e estratégias de evangelização e discipulado às principais cidades das províncias romanas e, como vimos Atos 13, esse ministério começa em Antioquia. 

Pouco antes, Atos 11: 19-26, vemos que Barnabé havia sido enviado de Jerusalém à Antioquia para compreender o que estava acontecendo quanto a conversão de inúmeros gentios naquela cidade. Quando chegou ficou maravilhado com o que estava acontecendo, com a obra que Deus estava realizando naquela cidade. Os exortou para que permanecem na fé e um grande número de pessoas foram acrescentadas ao Reino. Em seguida Barnabé vai a Tarso buscar Paulo, provavelmente para já sabia do seu ministério com os gentios. 

Quanto a Paulo, é possível observar que foi um homem da cidade. Um Apóstolo urbano. Cosmopolita, por assim dizer. Sua linguagem, suas metáforas, são quase sempre retiras do mundo urbano que o cerca. É de uma pessoa que vivia próximo aos ginásios, aos estádios, as feiras. Seu trabalho, fazer tendas, para se sustentar era de um operário, próprio de uma pessoa da cidade. 

Como vemos no Livro de Atos dos Apóstolos, as viagens missionárias de Paulo sempre foram direcionadas a importantes cidades do Império Romano. 

Tessalônica, foi capital da Macedônia. Havia um porto importantíssimo para o comércio, que se ligava a Ásia Menor. Lá havia, ainda, uma importante comunidade judaica. 

Corinto, foi capital da província da Acaia. Foi um ponto terrestre para o comércio marítimo entre o oriente e ocidente. 

Atenas, foi capital da Ática, foi a cidade mais famosa do mundo. Foi a sede da arte e da literatura, Atos 17

Éfeso, foi capital proconsular, parte ocidental da Ásia menor, a maior metrópole da Ásia. É em Éfeso que estava o famoso templo de Diana (Ártemis) e, havia o maior teatro do mundo com capacidade para 50.000 pessoas. 

É visível que, o Apóstolo dos gentios, aponta os esforços do seu ministério a grandes cidades. 

Mas é em Antioquia que tudo começa. Mesmo antes de Paulo começar a plantar igrejas, mesmo quando ainda era um perseguidor da Igreja de Cristo, A igreja em Antioquia é o perfeito exemplo de uma igreja missionária e urbana. 

Desde o começo a igreja em Antioquia se destacava como modelo missionária e plantadores de igrejas. Diversas outras igrejas foram fundadas a partir da igreja de Antioquia. Antioquia talvez seja o momento mais importante da história da plantação de igrejas (Santana, 2016).  

É mencionado nas escrituras que, a igreja, teve seu início com irmãos “Leigos”, mas que foram pioneiras na missão cristã. Os fundadores foram gentios que estavam fugindo das perseguições em Jerusalém, logo depois da morte de Estevão, Atos 11: 19-21

Como vimos, os resultados foram incríveis, ao ponto de chegar os rumores à Jerusalém, de forma que foi preciso enviar Barnabé para saber o que estava acontecendo através dessa igreja. 

A cidade de Antioquia era multicultura, foi ao mesmo tempo helenista, romana e judaica. Era o local onde a cultura Grega se encontrava com a cultura do oriente. Havia uma grande comunidade judaica e os judeus haviam feito muitos prosélitos na região. Em Antioquia as barreiras sociais até certo sentido pode se dizer, eram menores. 

Como vimos, Atos 13:1-3, haviam cinco mestres e profetas. E dois foram enviados pelo Espirito Santo, Barnabé e Paulo, para iniciar a plantação de Igreja em outras cidades do Império Romano. 

A igreja de Antioquia crescia, e crescimento pode ter pelo menos 3 fatores: 

  1. O biológico, isto é, o nascimento de crianças de pais já convertidos ao cristianismo. O crescimento geracional é importantíssimo e é uma orientação bíblica. 
  1. O crescimento pode ser por transferência, isto é, membros de outras comunidades passam a integrar uma nova comunidade. Em última análise isso não é crescimento já que não agrega almas ao Reino de Cristo. 
  1. O terceiro fator, e o mais adequado, claro, é o de crescimento por conversão. Este era o tipo de crescimento que a igreja em Antioquia apresentava. E o ideal para igreja contemporânea. 

Dentro destes fatores de crescimento, dois aspectos são importantes de destacar quanto a igreja de Antioquia, e claro, relevantes para nós hoje, 

  1. A igreja de Antioquia tinha uma relação íntima com as pessoas em situação de vulnerabilidade social na cidade. E não somente na Antioquia, mas, com preocupação verdadeira enviava recursos a outros lugares que também necessitavam.  Atos 11: 29-30, descreve que quando o Imperador Cláudio governava, entre 44 d.C e 54 d.C, houve um período de grande fome que atingiu a Judeia. Então, os cristãos judeus, estavam sofrendo muito, à sua maneira, os cristãos de Antioquia, arrecadaram recursos e enviaram aos que estavam sofrendo na Judeia. 
  1. O Segundo aspecto, e igualmente importante é o da liderança local. Paulo fez escolhas de pessoas chaves, pessoas que se tornariam pessoas importantes para a comunidade. Paulo já havia aprendido que a chave para o bom desenvolvimento da igreja é a liderança local. 

Enfim, Antioquia foi um lugar de pregação do Evangelho, fiel a Palavra de Deus, foi um lugar de compaixão com os necessitados, e um lugar de preparação para missionários urbanos. E isso pode visto quando analisamos a vida espiritual na igreja. Pregação do EvangelhoOração constante, Jejuns, e o cuidados com os mais pobres. Estas são marcas de uma igreja que agrada e é usada por Deus para espalhar o Evangelho pelo mundo.  

Assim, toda igreja local que deseja ser relevante para sua comunidade, que deseja que o reino se expanda, a igreja de Antioquia é o melhor exemplo, é um modelo Bíblico! O modelo que Deus usou e usa para o crescimento do Seu reino. 

Dessa forma, compreender a igreja em Antioquia é compreender a missão urbana. É na igreja de Antioquia que estão nos padrões Bíblicos para o um desenvolvimento saudável de uma boa comunidade cristão. Foi na igreja de Antioquia que foram definidos os rumos da história e da missão cristã pelo mundo. Foi a igreja de Antioquia que enviou o maior missionário urbano do primeiro século, Apóstolo Paulo.  

Para concluir, é no livro de Atos que vemos os planos de Deus se concretizar. Antes víamos como apontavam para as cidades, através de Nínive, Babilônia, Jerusalém, agora, em Atos vemos que o plano de Deus é para todas as cidades da Terra. 

Assim, os fundamentos Bíblicos e teológicos são imprescindíveis para um bom desenvolvimento da obra missionária. A obra que agrada a Deus e pode esperar suas bençãos é a obra com fundamentos Bíblicos, com teologia saudável que se preocupa com a situação daqueles em vulnerabilidade social e reconhece a importância da liderança local. 

Referências:  

Robson R. S. Missão Urbana, fundamentos, desafios e implicações. Columbia, SC: Amazon, 2016. Digital. 

BÍBLIA, Estudo Palavra-Chave Hebraico e Grego. 4 ed. Rio de Janeiro. CPAD, 2015. Impresso.  

Marchall, I. Howard. Comentário Bíblico Vida Nova. D. A. Carson et.al. São Paulo: Vida Nova, 2017. Impresso.  

Keener, S. Carig. Comentário Histórico-cultural da Bíblia – Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Impresso.  

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