Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido.
Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte.
Meus amados irmãos, não se deixem enganar.
Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes.
Tiago 1: 13-17

Em nossos tempos há dúvidas no coração dos Homens quanto a força poderosa de Deus em reger o universo que Ele mesmo criou e, claro, conhece nos mínimos detalhes. 

É, aparentemente, fácil dizer que Jesus é Senhor do universo, como coloca Paulo em Colossenses 1: 13 – 23, mas, quando se trata do dia a dia, do pão nosso, do que iremos vestir em tempos de crise, a tendência é desviar nossos corações da doutrina da providência e buscar com as próprias forças romper os tempos difíceis. Mas, quando notamos que em tempos de crises, como em uma pandemia, por exemplo, nossas forças nada faz, que as frustrações são inevitáveis e junto a frustrações a raiva. Tudo desmorona de forma implacável!  

Porém, ao mesmo tempo, este é o bom momento para aprender a ressignificar todos os aspectos da vida à luz da Soberania de Deus. VEJA o Episódio “O que nos Resta em Meio ao Caos”. 

Crises acontecem, o mundo nunca foi um lugar fácil. Para usar uma velha expressão popular: “nunca foi possível amarrar cachorro com linguiça!”. A realidade é que crises sempre fizeram parte da história humana, a própria Queda é uma crise na história humana. 
 
Desta forma, durante os tempos de crise, tempos onde somos colocados à prova, tempos que mostram que confiar em nossas próprias forças sempre levará a frustrações. É, justamente nestes momentos que as decisões precisam ser muito mais sensíveis a voz do Espírito para conseguirmos discernir a realidade dos tempos que vivemos das mentiras que nos cercam constantemente. 

Por isso, Tiago 1:13 – 17, nos esclarece 5 pontos importantes (1) Deus a ninguém tenta! Como Abraão podemos ser colocados à prova (Gn 22:1). Porém, jamais, o Senhor, nos induzirá ao pecado, nunca colocará um servo diante da situação que o levará à tentação. Ao mesmo tempo, como esclarece Paulo, Deus está no controle, e, dessa maneira, jamais permitirá uma tentação maior do que aquelas que podemos suportar (I Co 10:13).  

(2) Deus não pode ser tentado por ninguém! Ou seja, Deus não é como seres humanos que facilmente podem ser influenciados. O Senhor não se deixa levar por ideias vãs, ideias momentâneas de homens que não ultrapassam um século. Ele é desde a eternidade. O princípio e o fim. Isto é, Deus não é como os homens que estão sujeitos aos tempos em que vivem, as moralidades temporais, às condições de vida a que estão submetidos, e a tantas outras coisas que influenciam as decisões humanas.  

(3) Somos atraídos por nossas próprias concupiscências! São, em última análise, nossos desejos, junto a um coração enganoso (Jó 15:35; Sl 7: 14-16; Rm 6: 21-23), que nos leva às tentações, seja a atos imorais, seja a ações cobiçosas ou até mesmo a tentar tomar o controle (inutilmente, claro) das mãos de Deus, para depois, receber glórias por ter superado às crises através das próprias forças. Por isso precisamos de autocontrole para ressignificar toda a situação à luz da soberania de Deus. 

(4) O ser humano é quem assimila o pecado. Como o corpo assimila os alimentos para se nutrir, o próprio homem assimila o pecado para nutrir seus desejos pecaminosos. Assimilado o pecado o caráter se corrompe e a prática torna-se natural. Em pouco tempo, já cauterizado, o ser humano não percebe o caminho tenebroso que se meteu, o caminho da morte. Por isso, Tiago 1 exorta: “não erre!” (vers. 16).  

(5) Todos as coisas boas provêm de Deus. Nele não há mudanças ou “sombra de variação”, Ele não pode ser influenciado, como vimos no segundo ponto, e, ao mesmo tempo, é possível afirmar que “(…) Ele é bom, (…) a Sua benignidade dura para sempre” (Sl 106.1).  

Enfim, estes pontos levantados pelo Apostolo Tiago, são de suma importância quando, diante de uma crise, precisamos compreender a situação que nos cerca e, ao mesmo tempo, o Deus que servimos. 

Para concluir, as crises levam as frustrações, e as frustrações costumam ser um caminho para as tentações. Porém, como indica os livros sapienciais (Jó, Salmos, Eclesiastes), há sempre dois caminhos, o caminho do justo que vive pela fé, aquele que crê na providência e sabedoria de Deus, ou o caminho do ímpio, daquele que vive à própria maneira, agindo como acha mais adequado buscando os resultados que mais o agradam, pois, vê a si mesmo com fonte de toda força e fruto de tudo que é bom 

Hoje, ao contrário das perspectivas ateístas do começo do século, de filósofos como Nietsche, por exemplo, a grande maioria das pessoas ainda assumem alguma religião ou algum tipo de crença, ou seja, há senso de que existe um Ser superior. Mesmo que esse senso seja por tradição ou comodismo o número real de ateus é baixo. 

Porém, a grande maioria destes “crentes” vivem como se a providência não existisse. Isto é, o senso de que Deus está em seu cotidiano, é praticamente esquecida.  

Se pudéssemos verificar quem realmente vê a providência divina em sua vida diária, esse número, que professa alguma religião, seria drasticamente reduzido. Se pudéssemos ir mais longe e verificar quantas pessoas realmente vive pela fé, ou seja, organiza sua vida em função desta verdadeira doutrina cristã, o número seria ainda menor, infelizmente. 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *