Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá. 

 Salmos 139: 7-10 

Depois do Iluminismo, principalmente no século XX, o mundo avançou em ideias Materialistas, isto é, acredita que a matéria é a única realidade do universo, consequentemente a única capaz de explicar os fenômenos naturais, sociais e mentais. Isto tanto em conceitos marxistas como no liberalismo econômico. O Materialismo existe desde de a Antiguidade em filósofos como Demócrito e Epicuro, em ideias onde o Homem é o único responsável por seu destino, mas foi nos últimos dois séculos que realmente ganhou força. VEJA o Episódio Materialismo e a Resposta Cristã. Aqui. 

Assim, passamos a acreditar que somos responsáveis por tudo que produzimos e tudo que iremos produzir ao longo de nossa história, enquanto raça humana. É um cientificismo (Fense), onde o mundo físico é operado apenas por leis físicas naturais independente do seu Criador.  

O Criador, na melhor das hipóteses, foi transformado em um mero observador. Um relojoeiro que, depois de terminar as engrenagens, dá corda e observa a criação à distância. 

Sartre, como Homem do século XXI, reflete bem esta ideia ao afirmar que, para o seu pensamento existencialista, a existência de Deus não faz qualquer diferença.  

O Deus verdadeiro que está no cotidianocomo vimos no Episódio anterior, e que conduz o mundo em Sua sábia vontade se tornou, na mentalidade dos últimos dois séculos, um Deus distante, o deus dos deístas, que, às vezes, lá do alto joga um presentinho para alguns seres humanos privilegiados que, de alguma forma, conseguiu agradá-Lo através dos próprios esforços.  

O mundo é, agora, na mentalidade contemporânea, nada mais que uma máquina de corda, Deus acionou e deixou seguir sem qualquer objetivo ou propósito, como afirmou Nietsche, o mundo está abandonado à própria sorte. Como disse, este pensamento já existia desde a antiguidade no pensamento grego. Mas, é somente no Homem moderno que este pensamento, de alguma forma é colocado em prática. 

Este cientificismo fortaleceu ideias dualistas já existentes, em Platão, por exemplo, mas, agora, com ares de verdades absolutas. Estas ideias criaram, por exemplo, o dualismo entre Natural e Sobrenatural, coisa que não existia na mentalidade antiga. Este dualismo entre Natural e Sobrenatural é próprio da mentalidade moderna. Veja esta declaração de Tales de Mileto: “A inteligência do cosmos é o deus, porque o universo é animado e cheio de deuses”.  

Para a mentalidade da antiguidade absolutamente tudo faz parte da Physis, isto é, faz parte da natureza. Por mais extraordinário que seja, por mais “Sobrenatural”, por mais fora do comum, por assim dizer, tudo é parte da natureza. Na antiguidade, deuses, espíritos, demônios, estavam presentes em tudo que se manifesta na natureza, mesmo que invisíveis. É comum vermos hoje frases “viva no sobrenatural de Deus”, “Criar uma atmosfera para Deus se manifestar”, ou “invocar a presença de Deus”, e tantos outros pensamentos de mentalidade dualista. E, muitas vezes, pagã. Porque, como vimos no Podcast anterior “Providência, Deus no Cotidiano”, Deus em quem sustenta Sua criação. 

A mentalidade cristã clássica é avessa a ideias de um Deus distante que, precisa constantemente ser invocado para manifestar-se. Para o pensamento cristão Deus criou todas as coisas existentes ex nihiloGn 1:1 e nada foge de Seu controle. Deus criou todas as coisas e todas às coisas a Ele pertence sendo Ele mesmo que as sustenta Sl 24:1 – 2. 

Seja desde a expansão do universo mais longínquo aos mais ínfimos átomos da Terra. Ele faz circular no universo todas galáxias e, ao mesmo tempo, dá forma as menores células do corpo humano ainda no útero materno .  

Ele é a causa primeira de toda a existência todo o resto é efeito da Sua sábia vontade, seja permissão ou decreto. 

Nenhuma existência tem poder em si mesmo, como deseja fazer acreditar o pensamento contemporâneo, tudo ocorre segundo o poder que lhe foi emprestado, pelo Senhor, como diz o salmista: “Atribuam ao Senhor, ó seres celestiais, atribuam ao Senhor glória e força” Sl 29:1, ou seja, quem age por intermédio de toda força ou leis naturais é o Criador. Novamente, Sua sábia vontade é a causa primeira de todas as coisas, todo o restante, tudo o que existe, é efeito. 

 
Feser, Edward. A. Última Supertição: Uma Refutação do Neoateísmo. Belo Horizonte, Cristo Rei: 2017. Digital.   

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