Introduçao: A Bíblia está repleta de casos de orações dos servos de Deus, as lutas de Jacó com o anjo, corações constritos como o de Ana, que desejava um filho, Davi em profundo arrependimento por causa de seus pecados, até o próprio Senhor Jesus orava constantemente. Mas, afinal o que é oração? 

E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 
Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.” Mateus 6: 7-8 

NO CAPÍTULO 6 DE MATEUS versículo 7 e 8, Jesus continua com o sermão da montanha, agora sobre Esmolas, Jejum e Oração. Sobre as Orações, os judeus, contemporâneos de Cristo, discutiam se as orações previamente definidas tinham algum significado, no sentido de algum valor diante de Deus, o consenso era que sim, desde que as intenções do coração estivessem corretas, ou seja, se a orações tiverem sido feitas com sinceridade genuína.  

Já, os Gregos, durante suas orações, às vezes, mencionavam todos os possíveis nomes das divindades invocadas como uma forma de chamar a atenção ou garantir que a divindade invocada tenha ouvido as suas preces. Essas orações pagãs eram usadas como uma tentativa de lembrar os deuses de favores ou sacrifícios ofertados a eles. Eram preces de cunho contratualistas, ou seja, se o adorador cumpriu sua parte em ofertas e sacrifícios o deus invocado também deveria cumprir sua parte do contrato (Keener). Como se este deus precisasse ser lembrado de suas obrigações. 

Então, dentro deste contexto, Jesus está alertando seus seguidores que a verdadeira oração não é esta. A oração não é uma técnica a ser aplicada ou uma representação. A oração é um RELACIONAMENTO! E, relacionamento se desenvolve na intimidade, no quarto, onde ninguém vê – somente o Pai. É na privacidade que reconhecemos a nossa insignificância, é quando não temos ninguém para nos aplaudir, por feitos que nos mesmos achamos justos. Quando ninguém está observando ou melhor quando nós não estamos nos mostrando diante dos Homens. E quando não estamos tentando provar para os outros que nós somos incríveis.  

Pois, é em secreto que o Pai observa tudo que há de oculto nos corações humanos. É em secreto que verdadeiramente podemos reconhecer a pequenez dos seres humanos diante de um Deus onisciente capaz de sondar o mais profundo de suas almas, e, que sabe, o que este ser, que é meramente pó, precisa antes mesmo de Lho pedir.  

Às vezes, diante desta realidade incognoscível, – Deus, o Pai, é onisciente! Nos deparamos com a questão, se Deus já conhece todas as coisas por que devemos orar? É um pensamento racional e bastante compreensível, é a lógica aristotélica aplica – esta afirmação não contradiz a si mesmo! Mas, Deus, é infinitamente maior do que raciocínio humano é capaz de alcançar!  

É ótimo que pensemos de forma racional com relação a Deus, mas, não podemos nos esquecer, Deus é Um ser pessoal disposto a um relacionamento íntimo com sua criação. Um relacionamento envolve todo o ser do sujeito o racional, o emocional, psicológico etc. etc. é um relacionamento integral. 

Assim, outra questão surge, se é um relacionamento, como este relacionamento deve se desenvolver? Algumas perguntas podem nos levar a refletir:  

Será que, durante as orações, estamos simplesmente repetindo frases sem as verdadeiras intenções, como quem fala no automático? Repetindo coisas sem sentido verdadeiro, sem um sentido dentro de nós? Sem manifestar o que verdadeiramente está no nosso interior? 

Será que, durante as orações, ficamos tentando lembrar a Deus de como temos sido bonzinhos e merecemos as recompensas por isso? Como quem diz: “fiz a minha parte agora é a Sua vez” ou estamos nos humilhando perante a poderosa mão do Senhor? Será que ficamos determinando a benção ou nos submetemos à vontade de Deus?  

Será que precisamos ficar gritando a todo tempo diante de Deus para chamar sua atenção? Como se Deus não tivesse sempre nos sustentando? 

Será que, durante a oração, somos como uma criança birrenta, disposta a gritar e espernear até ganhar o que quer ou somos crentes maduros suficiente para buscar respostas com um coração disposto a mudar a própria vontade para que a vontade de um Deus bondoso e onisciente prevaleça sobre nós? 

Oração é relacionamento e relacionamentos se constroem dia após dia. Anos após anos. É um crescimento consciente através da fé. Este amadurecimento sempre reflete mais confiança, fé, esperança (veja a Oração do Pai Nosso). 

Desta forma, uma relação madura com Deus ecoa em relacionamentos interpessoais saudáveis. Uma relação de perdão e graça concedidos Deus manifesta-se com perdão e graça com o próximo. 

Isto é, a consciência de que, se fomos perdoados por graça e misericórdia, pelo Pai, também devemos perdoar aqueles que nos ofendem (Mateus 6: 14). 

Keener, Craig S. Comentário Histórico-cultural da Bíblia. São Paulo, Vida Nova: 2017. Impresso.

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